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Familiares, amigos e fãs se despedem do músico baiano João Gilberto

Familiares, amigios e fãs se despediram, nesta segunda-feira, 8, de João Gilberto no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde o pai da bossa nova, morto no último sábado, 6, aos 88 anos, fez um de seus últimos shows.

O caixão aberto com uma cruz ao lado foi colocado em frente à escadaria do edifício que marcou o esplendor do Rio no início do século passado.

Várias coroas de flores prestaram homenagem ao “mestre dos mestres”, como indicava a que foi enviada pela cantora e compositora Rita Lee e sua família.

Muitos fãs anônimos chegaram ao teatro com seus instrumentos de músicos amadores, para homenagear o homem que encarnou, junto com o compositor Tom Jobim e o poeta Vinícius de Moraes, a revolução musical que nasceu no Brasil e se estendeu pelo mundo no fim dos anos 1950.

Uma missa foi oficiada pelo padre Omar, reitor do Cristo Redentor do Corcovado e consultor de atores de telenovelas que devem interpretar papéis de padres.

O caixão foi retirado no início da tarde, para ser trasladado à cidade vizinha de Niterói, onde o músico foi enterrado.

“João Gilberto representa uma nova era da música. Inspirou muita gente. Não é da minha época mas continua sendo atual”, afirma Paulo Afonso Sampaio, empresário de 43 anos, que levou seu violão para o velório.

“Estar aqui hoje, perto dele, me arrepia. Trouxe meu violão para ter essa inspiração, porque mesmo ele estando no além, está me inspirando aqui”, acrescenta.

“Sou advogado, mas acho que a música está no sangue de todos os brasileiros. Somos todos um pouco músicos, temos o samba em nossas raízes e a bossa nova é uma variante do samba”, afirma, emocionado, Igor Costa, de 29, que trabalha em um escritório no centro do Rio.

A cantora e compositora Adriana Calcanhotto, presente na cerimônia, destacou tudo o que deve a João Gilberto: “A batida da viola, o canto, a fala, a escolha do repertório. Ele cantou as coisas que ele tinha vontade de cantar. É um grande mestre, sempre una referência importantíssima para quantas gerações de músicos vierem pela frente”.

João Gilberto viveu praticamente recluso em sua casa durante a última década, com poucos recursos e em meio a disputas judiciais entre familiares por sua herança.

Na terça passada foi jantar em um restaurante no Leme, com sua companheira, a moçambicana Maria do Céu Harris, e seu advogado, Gustavo Carvalho Miranda, que contou que na saída o músico recordou jantares de gala depois de shows em Nova York, Itália e no Theatro Municipal do Rio.

A última vez que João Gilberto se apresentou neste palco foi em 2008, para comemorar o 50º aniversário da bossa nova.

Nesse mesmo ano fez seu último show em Salvador, a capital da Bahia, estado onde nasceu e viveu até os 18 anos, quando se mudou para o Rio.

A Tarde

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